O ano de 2025 mostrou que a Senhora Governadora do Cunene tem vontade de trabalhar e de deixar a sua marca na província. Essa disposição é visível e deve ser reconhecida. No entanto, também ficou claro que a vontade, por si só, não é suficiente quando vem acompanhada de atitudes de arrogância, fraca escuta e decisões mal aconselhadas.
Há uma necessidade urgente de, em 2026, a liderança provincial mudar de postura: ouvir mais as denúncias, valorizar as críticas construtivas e colocar pessoas verdadeiramente competentes nos lugares certos. Governação não se faz com bajulação, mas com verdade, coragem e capacidade de corrigir erros.
É igualmente evidente que nem todos os que hoje rodeiam a Governadora são leais ao projeto de desenvolvimento do Cunene. Alguns parecem apenas aguardar o momento certo para celebrar uma eventual queda. Por isso, mudanças profundas devem começar desde já, tanto na estrutura do Governo Provincial como no partido, sob pena de se manter um círculo de oportunistas e incompetentes.
A aposta em diretores jovens foi, em teoria, uma decisão positiva. Contudo, na prática, muitos desses quadros revelaram falta de criatividade, ausência de visão estratégica e excesso de vaidade. Alguns não dominam minimamente as funções que exercem e transformaram os gabinetes em espaços de ostentação, em vez de locais de trabalho sério, produtividade e resultados.
Outro ponto preocupante é a conduta pessoal de certos dirigentes. A banalização de relacionamentos impróprios no exercício de funções públicas não é normal nem aceitável. Um líder deve proteger a sua imagem institucional, pois escândalos pessoais acabam sempre por manchar a credibilidade política e governativa.
Os ativistas devem ser vistos como aliados, não como inimigos. São eles que, muitas vezes, trazem à tona verdades que os assessores preferem esconder. Infelizmente, alguns assessores parecem existir apenas para agradar, confirmando diariamente a sua incompetência e incapacidade de aconselhar com honestidade e responsabilidade.
Quanto aos administradores municipais, muitos continuam a governar com mentalidade de kimbo, sem visão de cidade, sem planeamento e sem ambição de desenvolvimento. Isso ajuda a explicar por que vários municípios permanecem estagnados. As visitas surpresa da Governadora deveriam ser regra, e não exceção, para avaliar o desempenho real desses gestores.
O Cunene não precisa apenas de discursos, mas de uma liderança firme, humilde, vigilante e comprometida com mudanças reais. O ano de 2026 deve ser o ano da correção de erros, da responsabilização e de uma governação verdadeiramente próxima do povo. Sem isso, a província continuará refém das mesmas falhas de sempre.
