Por Lito Deputado
O que falta, afinal, para o povo do Cunene abrir os olhos?
A população do Cunene continua a sofrer em silêncio. Todos assistem ao sofrimento diário, à falta de água e à frustração das famílias, mas permanecem calados. O medo tomou conta de muitos — medo de retaliações, medo de má interpretação, medo de exigir um direito básico: água.
Nos últimos dias, vários bairros do Cunene enfrentam uma crise profunda. As torneiras secas tornaram-se parte da rotina. O mais revoltante é que, mesmo sem receber água, as faturas continuam a chegar como se o serviço estivesse plenamente garantido. Isto é desrespeito, abuso e negligência.
O que realmente está a acontecer?
Será incompetência do PCA das Águas do Cunene?
Será má gestão?
Ou será que o povo se habituou a sofrer calado?
Chega. Não é aceitável que famílias inteiras passem semanas sem água enquanto os responsáveis permanecem confortáveis nos seus gabinetes. Quem paga tem direito a receber. Quem gere tem o dever de resolver.
O povo do Cunene precisa, urgentemente, de despertar. De criar a cultura de defender os seus direitos, de sair às ruas, de exigir soluções concretas. Porque nenhuma mudança virá se nós mesmos não a exigirmos.
O silêncio só beneficia quem falha.
A voz do povo é a força que pode mudar o rumo das coisas.
