Pessoal, quero partilhar uma reflexão sincera sobre as condecorações que a senhora governadora, Gerdina Didelwa, pretende realizar nos dias 5 e 6, distinguindo mais de quatrocentas pessoas. À primeira vista, parece um gesto de reconhecimento justo, mas, olhando com atenção, percebe-se que esse ato reflete mais um exercício de conveniência política do que de justiça social.
Uma condecoração deveria ser a expressão máxima de reconhecimento público. Deveria servir para valorizar quem se sacrificou, quem trabalhou em silêncio, quem fez algo de verdade pelo bem-estar coletivo da província. No entanto, o que se vê é uma lista marcada por amizades, afinidades partidárias e bajulações. O mérito foi substituído pela conveniência; a justiça, pela simpatia.
Senhora governadora, ser líder não é condecorar quem lhe aplaude, mas reconhecer quem lhe obriga a pensar. As críticas, quando são construtivas, também fazem parte da boa governação. São elas que despertam, que desafiam, que impedem o poder de se tornar cego e autossuficiente.
Condecorar apenas os próximos é negar o valor dos que verdadeiramente constroem a província — aqueles que se levantam cedo, que enfrentam dificuldades, que não têm voz nos gabinetes, mas têm ação nas comunidades.
Não se trata de pedir condecorações. Eu, pessoalmente, não preciso delas. O que está em causa é o princípio da justiça e da valorização do esforço coletivo. Quando se reconhece apenas quem está por perto, perde-se o sentido do gesto e transforma-se a homenagem em teatro político.
Se a governadora quer ser lembrada como líder do povo, precisa sair do gabinete e olhar nos olhos da população.
Porque, neste momento, Gerdina Didalelwa é governadora do gabinete — e não do povo.

