Teatro da Política e o Silêncio da Consciência

Deputados que Ontem Negaram, Hoje Aplaudem

Por Lito Deputado

Ouvir o discurso sobre o Estado da Nação é, em teoria, um momento de introspeção coletiva uma oportunidade para o país medir a sua própria alma.

No entanto, mais do que as palavras do Presidente da República, o que realmente me marcou foi a reação dos que o escutavam: deputados que ontem rejeitaram com convicção a proposta de reconhecimento de Jonas Savimbi, e hoje, ironicamente, aplaudiam de pé o mesmo tema, apenas porque foi pronunciado pelo Chefe de Estado.

Esta contradição, mais do que política, é moral.

Revela a fragilidade das nossas convicções e o vazio de um patriotismo que se dobra diante do poder.

Mostra que, em vez de servirem o povo e os ideais que juraram defender, muitos preferem servir a conveniência do momento.

Não se trata apenas de bajulação é o reflexo de uma cultura política onde a coerência é sacrificada em troca de aplausos fáceis.

É triste ver representantes do povo que não são guiados por princípios, mas por interesses; que não buscam coerência, mas sobrevivência política.

Quando o Presidente anunciou a condecoração dos três líderes históricos Jonas Savimbi, Agostinho Neto e Holden Roberto muitos dos que outrora rejeitaram esse reconhecimento hoje aplaudiram como se sempre o tivessem defendido.

Essa incoerência é o espelho do nosso Parlamento: um espaço onde, demasiadas vezes, as ideias cedem lugar à conveniência e a dignidade é trocada por aplausos.

O Estado da Nação não se mede apenas por discursos bem escritos, mas pela integridade dos que os ouvem e pela coragem dos que decidem.

Enquanto os nossos deputados continuarem a confundir política com teatro, Angola continuará a aplaudir sem mudar.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *