CARLOS ALBERTO ANTECIPA DISCURSO DO ESTADO DA NAÇÃO E PEDE AO PRESIDENTE CORAGEM PARA ENFRENTAR A VERDADE DO PAÍS.

O jornalista Carlos Alberto fez uma análise crítica e profunda às vésperas do discurso do Estado da Nação, que será proferido esta quarta-feira, 15 de Outubro, pelo Presidente da República, João Lourenço.

Para o comunicador, mais do que estatísticas e balanços formais, Angola precisa de um chefe de Estado que fale com verdade, coragem e compromisso com a realidade do povo.

Segundo Carlos Alberto, “acima dos números que tantas vezes não traduzem benefício real para o povo — basta ver que os últimos hospitais inaugurados por João Lourenço não estão abertos ao público, só se lá chega por transferências ou por ‘recomendações invisíveis’ —, o que o país precisa é de um Presidente capaz de encarar Angola com verdade e coragem”.

O jornalista espera que João Lourenço assuma o realismo económico: a alta do custo de vida, o salário mínimo que não cobre necessidades básicas, o desemprego juvenil, a falência de pequenos empreendedores e o sufoco das famílias. No plano social, denuncia escolas sem condições, bairros sem água nem saneamento, serviços de saúde colapsados e energia instável que trava a produção nacional.

Carlos Alberto exige ainda honestidade política para reconhecer promessas não cumpridas, como o adiamento das autarquias locais, bloqueadas pelo medo de descentralizar. Critica a falta de transparência na recuperação de activos e a perda de credibilidade no combate à corrupção. Também aponta a ausência de responsabilização em matéria de direitos humanos, após tantos casos denunciados sem consequência.

O jornalista questiona se o Presidente está satisfeito com a comunicação institucional dos seus auxiliares e com o funcionamento da Comunicação Social, muitas vezes usada para propaganda, em vez de escrutínio.

No campo da justiça, Carlos Alberto exige reforma efectiva dos tribunais e do Ministério Público, denunciando o uso do sistema judicial para perseguir jornalistas e opositores. “Que nos diga o que está a ser feito para que juízes e procuradores deixem de usar os tribunais como arma de intimidação”, apontou, recordando ainda os escândalos recentes envolvendo o presidente do Tribunal Supremo, cuja renúncia foi aceite “de forma ligeira”, sem responsabilização.

Carlos Alberto termina com um aviso direto:
“Mais do que estatísticas, o país espera acção, coerência e resultados visíveis. Os números impressionam, mas é o povo que sente a verdade do discurso — e nada há de mais triste do que um governante que corta fitas com tesouras douradas enquanto o povo continua a cortar o almoço ao meio.”

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *