Por Lito Deputado
Dos 88 efectivos colocados na Unidade de Reacção e Patrulhamento (URP), na província do Cunene, 51 encontram-se há nove meses sem receber qualquer salário. Até ao momento, não foi apresentada nenhuma explicação oficial para esta situação grave, injusta e desumana.
Estes efectivos também têm famílias, responsabilidades e necessidades básicas. Como fica um pai de família que sai de casa às 5 horas da manhã e só regressa no dia seguinte, depois de longas horas de serviço, sem receber um único kwanza? Como se alimenta a sua família? Como paga a renda, o transporte ou os cuidados de saúde?
A pergunta que não quer calar é: os responsáveis por esta situação também estão sem salário? Ou apenas os que cumprem ordens e garantem a segurança pública é que são castigados? Afinal, quem está a beneficiar do salário que deveria ser pago a estes jovens?
Senhor Ministro, apelamos para que este caso seja resolvido com urgência. O senhor recebe o seu salário regularmente, e os seus filhos não passam fome. Por que razão se castigam jovens que juraram servir o Estado e que, há nove meses, trabalham sem qualquer remuneração?
Isto não é apenas uma questão administrativa. Trata-se de uma injustiça social, de uma violação da dignidade humana e de um atentado contra cidadãos que servem o país com sacrifício e dedicação.
