Por Lito Deputado
A anunciada possibilidade de uma visita do Manuel Homem, Ministro do Interior, à província do Cunene, nos meses de janeiro ou fevereiro, levanta uma questão que não pode ser ignorada: que benefícios concretos essa visita trará para a segurança pública da província?
É do conhecimento público que, em várias províncias por onde o Ministro Manuel Homem tem passado, têm sido entregues viaturas às forças policiais, como forma de reforçar a capacidade operacional e melhorar o serviço prestado aos cidadãos. No entanto, o Cunene continua a figurar entre as províncias mais carentes nesse domínio, apesar dos desafios reais que enfrenta no campo da segurança e da ordem pública.
A situação no Cunene é alarmante. Existem municípios sem qualquer viatura policial operacional, e, em muitos casos, cidadãos detidos são transportados em viaturas em péssimas condições, ferindo a dignidade humana e colocando em risco tanto os agentes da polícia como a própria população.
O que o povo do Cunene não espera é mais uma visita protocolar, marcada por discursos vazios, fotografias para o Facebook ou vídeos para o TikTok, sem resultados práticos. A província está cansada de visitas oficiais que começam e terminam sem deixar melhorias visíveis para as instituições locais.
Infelizmente, criou-se a perceção de que o Cunene é uma província onde tudo é aceite sem contestação, o que tem contribuído para a contínua marginalização das suas reais necessidades. Essa visão precisa ser urgentemente corrigida.
Assim, espera-se que, caso se confirme a visita do Ministro Manuel Homem ao Cunene, esta seja pautada por ações concretas e não por gestos simbólicos. A entrega de viaturas à Polícia Nacional no Cunene não deve ser vista como favor, mas como uma obrigação do Estado, em nome da igualdade entre províncias, da segurança pública e da dignidade institucional.
O Cunene não precisa de encenações nem de promessas.
Precisa de meios, precisa de ação e precisa de respeito.

