CUNENE: QUANDO O MEDO SUBSTITUI O DESENVOLVIMENTO

Por Lito Deputado

Enquanto não acordarmos, o Cunene continuará a ser visto como uma província onde o medo substituiu o desenvolvimento e o bem-estar do seu povo. Criou-se a perceção de que a população apenas se ocupa de assuntos menores, enquanto os problemas reais da província permanecem sem solução.

Vivemos numa realidade em que a voz do chefe é tratada como lei absoluta, como se fosse o único dono da razão. Em muitas instituições públicas impera a arrogância, o autoritarismo e a intimidação, em total contradição com os princípios do Estado democrático de direito.

Não é aceitável que os cidadãos vivam amordaçados pelo medo, incapazes de reclamar, denunciar ou expressar opiniões por receio de represálias. Esta prática viola frontalmente a Constituição da República de Angola, que no seu:

 • Artigo 40.º (Liberdade de expressão e de informação) garante a todos os cidadãos o direito de exprimir, divulgar e partilhar livremente as suas ideias e opiniões, sem censura nem intimidação;

 • Artigo 47.º (Liberdade de reunião e de manifestação) assegura o direito de os cidadãos se organizarem e manifestarem pacificamente;

 • Artigo 72.º (Participação na vida pública) consagra o direito e o dever de todos os cidadãos participarem na vida política, social e administrativa do país.

Quando um povo vive com medo de falar, estes direitos deixam de existir na prática, mesmo que estejam consagrados na lei.

No Cunene, para alguém se expressar é preciso coragem. Muitas vezes, por medo de perder o emprego, o sustento ou a dignidade, os cidadãos são obrigados a “dançar a música” imposta pelos que detêm o poder. Isso não é governação. Isso não é justiça. Isso não é desenvolvimento.

Enquanto não despertarmos, continuarão a adormecer-nos. Um dia, quando acordarmos, perceberemos que nos retiraram tudo oportunidades, dignidade e futuro transformando-nos em servos na nossa própria terra.

Tu que és jovem, acorda.

O momento de mudar a consciência é agora.

O medo não constrói províncias.

O silêncio não traz progresso.

Só a consciência cívica, a coragem e a união podem mudar o Cunene

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