DECLARAÇÕES SÁDICAS DE UM PROFESSOR “UNIVERSITÁRIO” BURRO — ESTEVES HILÁRIO

Eu tenho um defeito, talvez um dos mais difíceis de ceder. não leio livros escritos por “intelectuais” duvidosos e militantes do MPLA, sobretudo artigos ou livros de autores jovens desse partido. Muitos deles não são sérios, para além de copiarem pensamentos e ideias de escritores estrangeiros, revelam uma profunda desonestidade intelectual e falta de rigor científico.

O único livro que li escrito por um militante do MPLA foi a obra do senhor João Baptista Miranda, ex-Ministro das Relações Exteriores de Angola e ex-Governador do Bengo, intitulada “Nambuangongo”. Gostaria de recomendar a leitura desse livro. Foi através dele que percebi o quão inteligente esse senhor é, um livro escrito com cabeça, tronco e membros. Também gostei de ler um artigo científico sobre “cidadania”, da autoria do professor e sociólogo Paulo de Carvalho. De resto, não leio nada desses autores do MPLA, autênticos aldrabões e intelectuais inorgânicos.

Certa vez, fui à sede da Open Society, em Talatona, tratar de um assunto qualquer de que já não me recordo. Ao sair das instalações, ofereceram-me o livro do senhor Esteves Hilário, com o título: “A Institucionalização das Autarquias Locais em Angola. Análise dos Pressupostos Constitucionais”. Tentei dar uma olhada no índice para ver se havia alguma novidade ou ideias interessantes, porém não encontrei nada substancial. Escrevem sobre autarquias num país que nunca institucionalizou um verdadeiro poder local. A mesma mentira é a existência de um Secretário de Estado para as Autarquias num país que nunca realizou eleições autárquicas. Isto só acontece mesmo em Angola, com a elite do atraso.

Confesso que nunca li o seu panfletário, a que chamou de livro, sobre as autarquias em Angola. E não o li exactamente por saber que o autor não é uma pessoa séria, é demasiado desonesto e, para piorar, é um jovem que suspendeu a moral em troca da mediocridade política e do conformismo material. Através da bajulação, ascendeu para o bureau político do MPLA. Por esses e outros motivos, abstive-me de ler o seu livrinho.

O mesmo aconteceu com a baboseira de Marcy Lopes, outro aventureiro. Escreveu um lixo, com a capa vermelha, a que qualificou de livro.

Hoje, esse mesmo jovem, de quem eu já desconfiava, afirma que “o povo não come autarquias”. Quão ignorante e patético ouvir tais declarações de alguém que um dia foi tratado como professor “universitário”. Esteves Hilário e o seu MPLA encaram as autarquias locais como o maior inimigo do partido e destilam ódio contra elas.

Como dizia bem o Boulos: “Se alguém está contra uma verdade da qual tenho tanta convicção, e que se tornou o sentido da minha vida, ou esse alguém é burro ou age de má-fé.”
É exactamente isso que representa o Esteves Hilário, além de burro instrumentalizado pelo sistema que hoje serve, também age de má-fé. Ignora o sofrimento do povo em nome de um projecto em declínio e insustentável, a manutenção do poder.

Mas isso não significa que o povo vá abdicar da luta pela institucionalização das autarquias locais. O povo é soberano e tem o direito de escolher livremente quem o deve governar ao nível local.

Há muito que o MPLA resiste a fazer reformas transformadoras. Tem medo das autarquias locais porque sabe que facilmente perderia o controlo do poder e seria colocado na oposição. Manter o poder centralizado em Luanda é uma das razões pelas quais impede que os cidadãos tenham o direito de escolher directamente as autoridades municipais para gerir os seus destinos, com autonomia administrativa, financeira e patrimonial.

A verdade é teimosa. Com ou sem o MPLA no poder, as autarquias locais serão institucionalizadas. O povo é soberano e tem a força para lutar contra as manobras do regime autoritário do MPLA, que está no poder há 50 anos.

Por Dito Dalí.

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