A recente manifestação ocorrida na República da Namíbia, onde cidadãos namibianos exigiram a expulsão de angolanos residentes naquele país, levanta sérias preocupações e uma questão fundamental: onde estão as nossas autoridades?
É inadmissível que, diante de uma situação que coloca em risco a integridade e a dignidade de cidadãos angolanos, a governadora do Cunene, Gerdina Didalelwa, e o embaixador de Angola na Namíbia, Pedro Mutindi, permaneçam em absoluto silêncio.
A província do Cunene é a mais afetada por esta crise, pois é dela que provém a maioria dos angolanos que se deslocam à Namíbia em busca de melhores condições de vida. Ainda assim, nenhuma declaração, visita oficial ou medida concreta foi anunciada, nem pela governadora, nem pela representação diplomática de Angola em Windhoek.
Este silêncio é ensurdecedor. Revela falta de empatia, ausência de liderança e uma desconexão total com os problemas reais do povo.
Enquanto cidadãos angolanos são alvo de hostilidade em território estrangeiro, as nossas autoridades limitam-se ao conforto dos seus gabinetes, ignorando a responsabilidade que o Estado tem de proteger os seus nacionais — dentro e fora do país.
A governadora Gerdina Didalelwa deveria ser a primeira a levantar a voz em defesa dos filhos do Cunene. O embaixador Pedro Mutindi, por sua vez, tem o dever diplomático e moral de agir com urgência, dialogando com o governo namibiano e garantindo a segurança dos nossos compatriotas.
Não se trata apenas de diplomacia; trata-se de vida, dignidade e soberania nacional. O povo do Cunene e os angolanos na diáspora precisam de líderes que não se escondam nos momentos de crise, mas que apareçam com coragem, responsabilidade e compromisso.
O silêncio de ambos é uma vergonha para o Estado e uma afronta à confiança do povo.

