“REACÇÕES”: CARLOS ALBERTO ACUSA MINISTÉRIO DO INTERIOR DE MENTIR SOBRE CONDIÇÕES NOS ESTABELECIMENTOS PRISIONAIS.

O jornalista Carlos Alberto reagiu com dureza ao comunicado emitido pelo Ministério do Interior, no qual garante-se que Rodrigues Luciano Catimba, vice-presidente da ANATA e actualmente em prisão preventiva, encontra-se bem de saúde e que o Serviço Penitenciário dispõe de “infra-estruturas devidamente preparadas” para atender às necessidades dos reclusos.

No seu artigo tornado público nas redes sociais, Carlos Alberto diz que esteve detido durante quase dois anos no Estabelecimento Penitenciário de Viana (EPV) e no Hospital-Prisão São Paulo (HPSP), o comunicado é uma “mentira concreta” e uma tentativa de manipular a opinião pública. “Parece bonito no papel. Só há um problema: é falso”, afirma.

Relatando a sua experiência, o jornalista denuncia que foi impedido de receber assistência médica em tempo útil, sendo transferido tardiamente e mantido em isolamento para que não testemunhasse a miséria à sua volta. “Deram-me alta à pressa, como quem expulsa uma testemunha incómoda. Mas eu vi. E tenho tudo registado, apesar dos assaltos dirigidos às minhas coisas durante revistas feitas por ‘orientação superior’, sempre com o mesmo alvo: o jornalista Carlos Alberto.”

Ele denuncia ainda a falta de médicos permanentes, medicamentos essenciais e condições sanitárias básicas. “Nos dois estabelecimentos que conheço bem, faltam médicos permanentes, medicamentos básicos e condições sanitárias elementares. Não há sequer água canalizada nas celas e casernas — apenas tanques alimentados por camiões-cisterna pagos com verbas públicas nunca auditadas.”

O jornalista questiona com ironia: “E chamam a isto ‘infra-estruturas devidamente preparadas’? Preparadas para quê — para o sofrimento, para a morte ou para o negócio?”

No HPSP, afirma, doenças como tuberculose, malária e infecções cutâneas alastram por falta de higiene e atendimento. Reclusos morrem à espera de uma simples injecção. Na Comarca de Viana, com cerca de cinco mil presos, a morte “é apenas um número em relatórios que ninguém lê”.

Carlos Alberto desafia o Ministério a abrir as portas das cadeias à imprensa: “Se o ministro Manuel Homem acredita no que a sua equipa escreveu, então que abra as portas das cadeias à imprensa e nos mostre as tais infra-estruturas.”

E conclui: “As cadeias angolanas estão doentes — e quem mente sobre a saúde dos reclusos adoece também a credibilidade do Estado.”

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